O que antes era visto apenas como herança cultural ou tradição familiar, hoje ocupa as passarelas das principais semanas de moda do mundo. O artesanal não é mais apenas um detalhe estético: ele se tornou movimento de vanguarda.

Em um cenário onde a tecnologia avança em ritmo acelerado, a moda responde com um gesto oposto e complementar: resgatar o feito à mão como luxo absoluto. Bordados, crochê, macramê e tramas em fibras naturais assumem posição de destaque, provando que o verdadeiro diferencial está naquilo que carrega alma, tempo e história.

O artesanal nas passarelas internacionais

A Alta Costura vem reafirmando o valor do savoir-faire artesanal em sua passarela. Cada vestido bordado ou renda aplicada manualmente é não só uma peça de moda, mas um manifesto contra a pressa e a descartabilidade.

Para além dos bordados - já presentes como assinatura da Alta Costura - marcas como Balmain, Ulla Johson e Jacquemus, revisitam técnicas de crochê, macramê e tapeçaria, traduzindo o espírito artesanal em roupas-esculturas.; tricôs e palhas naturais também reforçam a estética da manualidade como linguagem contemporânea.

No Brasil, nomes como PatBo e Catarina Mina vêm conquistando projeção internacional justamente por integrar bordados, tramas e acabamentos manuais ao diálogo global da moda. A força do artesanal brasileiro é reconhecida pela sua diversidade cultural e pela sofisticação alcançada quando tradição e inovação se encontram.

 

Catarina Mina

Por que o artesanal é vanguarda?

Ser vanguarda é estar à frente do tempo, é propor novas direções. O artesanal, ao ser resgatado, não é apenas tradição: ele passa a ser a resposta de uma geração que busca sustentabilidade, identidade e exclusividade.

Em oposição ao fast fashion, o luxo do futuro se pauta naquilo que não pode ser replicado em massa: o gesto humano. Cada ponto, cada nó, cada detalhe carrega a marca da mão que o produziu.

Assim, o artesanal não é apenas tendência: é manifesto estético e ético. É olhar para frente com respeito às raízes.

O papel do Brasil nesse movimento

O Brasil possui uma das maiores riquezas artesanais do mundo: crochê, renda renascença, bordado richelieu, fibras amazônicas, tramas indígenas e quilombolas. A moda nacional, quando se ancora nesse patrimônio cultural, ganha força para dialogar com o mercado internacional de maneira autêntica.

Mais do que seguir tendências, o Brasil tem potência para liderar o movimento artesanal como vanguarda — colocando nossas mãos criativas como protagonistas de uma moda global.

 

Bolsa Raquel Gubert